quinta-feira, 29 de julho de 2010

Os jovens, a política e a democracia (Coluna Cena Política - Rádio Catedral FM 102,3)


Olá, boa tarde! O Tribunal Regional Eleitoral-MG noticiou recentemente a queda do percentual de eleitores de 16 e 17 anos, faixa etária para a qual o voto é facultativo no Brasil. A despeito do crescimento do eleitorado mineiro de 2006 para cá, os jovens representam hoje um percentual menor do que representavam na última eleição. Dado que é ainda mais significativo se comparado às eleições de 1989, primeira em que os menores de 18 anos e maiores de 16 tiveram direito ao voto facultativo, quando essa fatia correspondia a 4,45% do eleitorado nacional; já nas eleições de 2010 eles serão apenas 1,7% do eleitorado mineiro. Os dados, ainda que não representem novidade para os que acompanham a política, são aparentemente perturbadores ao sugerir o baixo envolvimento dos cidadãos no processo democrático. As informações cobram, entretanto, mais cuidado na construção de inferências equivocadas ou descontextualizadas. Os números divulgados pelo Tribunal negligenciam o crescimento da população jovem no país. Segundo dados do IBGE, a população de 16 e 17 anos diminuiu nos últimos 5 anos, o que nos leva a crer que sua representação percentual no eleitorado naturalmente diminuiria. É seguramente incômodo imaginar que o exercício da política tem se mostrado incapaz de seduzir as pessoas, recuperando, em parte, a nobreza inscrita na sua fundação. Se no passado sua prática era concorrida por todos os que se ocupavam com o bem da coletividade, depois de sucessivos escândalos e maus exemplos não é surpresa que muitos dela se distanciem, ainda que essa decisão cobre um alto preço num futuro próximo. Mas o Brasil mudou nas últimas décadas, em muitos aspectos para melhor. Novas formas de representação, conquistas institucionais na proteção de direitos, impressa livre, uma sociedade que convive de forma mais aberta com seus problemas e pode, por isso, se incomodar e pensar soluções para o que antes era silenciado por mecanismos em muito distantes da democracia que hoje pouco seduz. Em 1989 tínhamos uma sociedade cindida em torno de questões com as quais não precisamos mais nos preocupar. Falo, precisamente, da própria democracia, que no passado era dúvida e no presente mostra que veio para ficar. A estabilidade das suas instituições pode fazer com que os jovens sintam menos necessidade de participar, aliada, é claro, à pane de novas idéias. Nem tudo é melhora. Não podemos ignorar o declínio da imaginação política na construção de programas e propostas que envolvam um número maior de cidadãos no processo. Com efeito, precisamos estar atentos para que as conquistas não sejam negligenciadas ante a necessidade de buscarmos, permanentemente, melhorias para o país. Decerto é ruim que nem todos os jovens votem. Mas seus motivos podem esconder mais conquistas do que problemas. Boa tarde a todos e até o Cena Política da semana que vem!

A coluna Cena Política vai ao ar todas as quitas (por volta das 14:30h), na Rádio Catedral FM 102,3.

Um comentário:

Diogo Tourino de Sousa disse...

Um versão resumida desta coluna foi publicada hoje, na seção opinião do Jornal Tribuna de Minas, Juiz de Fora/MG.