quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O "tempo" da política começou (Coluna Cena Política - Rádio Catedral FM 102,3)

Olá, boa tarde! Na noite da última terça-feira foi efetivamente selado o acordo entre PT e PMDB para a sucessão eleitoral em 2010, pacto firmado num jantar entre suas principais lideranças, tendo como anfitrião o próprio presidente Lula. O anúncio, ainda que de um fato há muito consumado, encerra especulações sobre o destino de duas das principais legendas do país, em extensão e influência, dando contornos mais nítidos ao “tempo” da política que agora se inicia: as eleições vêm aí. Falta, seguramente, a definição de alguns dos personagens que disputarão as eleições de 2010, especialmente a construção da chapa de oposição que oscila entre José Serra e Aécio Neves, ambos do PSDB, e sua provável aliança com o DEM, sem falar, é claro, no próprio nome do PMDB que será vice na candidatura governista. Entretanto, uma coisa é certa: Dilma agora tem um vice-candidato, e mais do que isso, um aliado oriundo de um partido que dobrará seu tempo na TV e sua inserção em alguns estados. A resistência interna é grande em ambos os lados. Mesmo porque, em alguns dos maiores estados da federação – como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, por exemplo – a aliança entre PT e PMDB não se dará sob um céu de brigadeiro. A despeito disso, hoje o preço pago pelo governo na “sedução” do PMDB começa a fazer mais sentido, ainda que muitos possam discordar. Há pouco mais dois meses o Partido dos Trabalhadores sofreu duras críticas em relação ao modo como o governo e suas lideranças conduziram o episódio que levou ao “engavetamento” das denúncias feitas contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O PT teria, segundo críticos, rasgado a página fundamental de sua constituição, que é a ética, ao privilegiar o jogo político e consolidar a parceria com o partido de Sarney. Curioso notarmos como o pensamento político moderno nasce exatamente da desvinculação entre a política e a ética, argumento provocador apresentado pela primeira vez na história do Ocidente pelo pensador florentino Nicolau Maquiavel. Este teria dito que o principal objetivo na política é a conquista e a manutenção do poder, fazendo de todo o resto ganhos secundários. Daí a famosa frase atribuída a ele – “os fins justificam os meios” – e um adjetivo nada honroso: maquiavélico. Maquiavel concordaria com o PT, afirmando não ser a ética relevante naquele momento e defendendo a aliança com o PMDB, agora anunciada, como o objetivo principal. Mas já que escolhas têm um preço, resta sabermos se Maquiavel estava certo no passado, e se o PT estará certo no futuro. Boa tarde a todos e até o Cena Política da semana que vem!
A coluna Cena Política vai ao ar todas as quintas (14:30h) na Rádio Catedral FM 102,3.

3 comentários:

AZEITONA disse...

excelente artigo e um maravilhoso programa de rádio... é muito importante que discussões como essa sejam sempre debatidas. A verdadeira democracia é construída dessa forma

Os Sujos disse...

boa Diogo. Excelente artigo. Me tornei leitor do seu blog.

parabéns

Diogo Tourino de Sousa disse...

Meus caros, fico grato pela leitura e pelos comentários. Que o nosso debate continue. Um abraço.