Raul Francisco Magalhães - Cientista Político (UFJF)
O fato de haver posições minoritárias não significa que elas não sejam portadoras de virtudes públicas para a sociedade no sentido de que propõem alternativas fora do grande e falso consenso que nos manda resolver o Brasil com uma das duas grandes legendas. Isso é falso primeiramente porque o Brasil é, de fato, um pluripartidarismo na operação do dia a dia da política, nenhum partido governa sozinho, e também é falso na competição eleitoral: todos são obrigados a alianças se quiserem vencer. Além disso, é falso ainda se imaginarmos que a sociedade brasileira pode ser amplamente contemplada em duas legendas e que o debate sobre nosso destino prescinde de ideias novas, que hoje são pouco reverberadas pelo debate público, dominado pelos grandes atores e sancionado pela grande mídia. Em terceiro lugar, e no meu entender mais importante, essa perspectiva reducionista é normativamente falsa, quero dizer, é inadequado para qualquer democracia imaginar cenários nos quais as escolhas eleitorais tenham suas alternativas artificialmente reduzidas.
O contraexemplo da democracia na América do Norte merece ser lembrado: mesmo lá há quem atribua a disputa dicotômica entre republicanos e democratas a um arranjo que não contempla a diversidade do país, que vive sob o controle de um jogo histórico de grandes facções que comandam os dois partidos. Voltando ao Brasil, nossa democracia tem gerado um quadro complexo de questões e atores com posições importantes para um debate político produtivo, e penso que o eleitor e os analistas que tentam esclarecê-lo deveriam considerar mais perspectivas, tornando a reflexão sobre o momento realmente capaz de esclarecer as alternativas de voto.





